Ansiedade Entre Jovens: 12 Dicas Para Sua Escola Minimizar Epidemia

Ansiedade. Uma característica comum a todos os seres humanos, que mexe conosco e traz aquela sensação (muitas vezes gostosa) de antecipação de algo que está por vir. A espera de uma festa, de um passeio, de um encontro…

Quantas e quantas vezes nos lembramos sorrindo de situações como essas e da alegria quando o tal “acontecimento” finalmente chegou.

Em pequenas quantidades, a ansiedade pode trazer imenso prazer.

O problema é que, nos tempos atuais, os limites se perderam e a ansiedade ultrapassou a fase do ‘frio na barriga’ e se tornou uma doença que atinge mais e mais pessoas a cada dia.

Uma das possibilidades dessa mudança do ‘bom’ para o ‘ruim’ pode estar relacionada à diversidade de demandas e excesso de tarefas que todos são obrigados a fazer.

O Brasil é o País Mais Ansioso do Mundo?

Em 2019, a Organização Mundial de Saúde soltou uma pesquisa que afirma que o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo.

Cerca de 18,6 milhões de brasileiros – o que equivale a 9,3% da população – convivem com esse transtorno. E vale ressaltar que dessa porcentagem, a maioria é de jovens e até mesmo crianças, infelizmente.

O Ministério da Saúde identificou tecnicamente a ansiedade por sua possibilidade de ser benéfica ou prejudicial, dependendo da intensidade ou circunstâncias.

Quando ultrapassa os limites, torna-se um transtorno patológico com sintomas muito mais intensos como preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar); sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes, que se repetem independentemente da vontade; pavor depois de uma situação muito difícil, entre outros.

Diferenças essenciais: o que é saudável, e o que não é?

É importante distinguir a ansiedade saudável da patológica.

Esse sentimento, ou emoção, está ligado a nossa reação natural de luta ou fuga, a nossa preservação e prevenção diante de perigos.

É natural nos sentirmos ansiosos pouco antes de uma apresentação ou de um encontro importante.

Preocupar-se com as tarefas do cotidiano também não tem nada de anormal. O problema é quando isso passa a ser excessivo e constante e começa a interferir claramente na atividade do indivíduo.

Pensamentos negativos constantes e sensação de medo sem motivo real podem indicar que algo está mal. Uma das manifestações mais comuns dos distúrbios de ansiedade são os transtornos do pânico, nos quais a pessoa se imobiliza diante de situações que não representam risco real.

A pessoa não consegue se desligar das preocupações em momento algum e amplia seus temores para além da realidade dos fatos – ou ainda se angustia por coisas que concretamente não têm possibilidade de acontecer ou sequer evidências que as coloquem na agenda de fatos inevitáveis.

Não são raros sintomas físicos, como taquicardia, suor sem esforço físico e dificuldades para dormir. Esses transtornos de ansiedade podem se desdobrar em fobias, pânico e numa ansiedade generalizada.

Como enfrentar este mal na escola?

A vida escolar é um poço de riquezas, conhecimento e aprendizado, mas com essas novas características também carrega muita ansiedade, preocupação, tensão, impaciência e intolerância.

O que antes era resolvido em algumas semanas, precisa ser respondido em dias ou quiçá horas e minutos e o ciclo começa a atingir todos os níveis.

A ansiedade escolar é um dos transtornos mais preocupantes em todo o país e tem tomado conta de estudantes de todas as idades.

A mudança dos tempos, o advento da internet e das redes sociais tornaram o acesso à informação muito mais rápido e fácil, mas com isso veio junto uma noção de urgência, que nunca antes esteve tão evidente.

Alguns estudos recentes ligam o problema ao uso demasiado de redes sociais, como o Facebook, Instragram e Twitter.

Os jovens que passam mais de duas horas por dia navegando nessas redes estão, segundo cientistas de Cambridge, mais propensos a sofrerem problemas de saúde mental, sobretudo angústia, ansiedade e depressão.

As crianças hoje não aprendem a esperar.

Pais aturdidos ligam tablets, computadores e celulares assim que ouvem um ralo choro ou mesmo um início de resmungo, para “distrair” os pequenos.

Eles então são automaticamente transportados para o mundo virtual sem ter que lidar com os problemas do mundo real.

Naquele determinado momento, o problema em questão é resolvido, mas a médio e longo prazos, essas crianças passam a exigir automaticamente – imediatamente mesmo – os seus desejos atendidos. O que fazer?

A vida não funciona assim e logo o nervosismo e a ansiedade começam a ultrapassar os níveis considerados normais e adequados. A solução mais rápida e fácil? Medicamentos. Mas é esse o caminho a ser seguido?

A pesquisa da OMS foi publicada nos principais veículos do país, na Revista Exame, Estadão –  UOL, entre outros) e todas as matérias trouxeram as impressões do historiador Leandro Karnal e da psicóloga e consultora em educação Rosely Sayão, sobre a medicalização do comportamento humano e a epidemia de diagnósticos:

“Se o aluno não consegue acompanhar as aulas, dão remédio para ele. Nem todo mundo que não presta atenção tem déficit de atenção. A aula pode ser chata mesmo” – Leandro Karnal.

“Nós hoje usamos a lógica médica para olhar para o outro e dizer que essa pessoa é chata; essa pessoa tem TOC; fulano surtou. Nós vivemos à base de diagnósticos e, quando fazemos isso, apagamos a pessoa que está por trás dele” – Rosely Sayão.

As 12 dicas para enfrentar o problema da ansiedade

Apelar para os medicamentos pode ser a solução mais indicada em casos graves, mas também pode ser um erro se estivermos lidando com jovens que precisam apenas de um pouco mais de atenção, carinho e direcionamento.

Antes de chegar a este ponto, vale passar por outras alternativas que podem ser mais produtivas e eficazes e tornar a vida dos pequenos ansiosos melhor e mais saudável.

Fonte: Ministério da Saúde

A prática de atividades físicas, por exemplo, é altamente recomendável nesses casos, pois a liberação de endorfinas diminui bastante os níveis de ansiedade.

A endorfina é considerada um analgésico natural, reduzindo o estresse, a ansiedade, aliviando as tensões e sendo até recomendada no tratamento de depressão leves.

Outra dica que parece óbvia, mas na verdade é essencial para prevenir qualquer tipo de doença ou transtorno é muito simples: alimente-se bem! Faça com que as crianças comam comidas saudáveis.

Sim, sabemos que essa é a parte mais difícil pois o excesso de açúcar e carboidratos pode ser muito prejudicial (assim como a falta), mas não tem jeito. Mente sã em corpo são.

Veja outras 10 dicas que podem realmente ajudar:

1. Mantenha o físico e o intelectual ativos
2. Jamais se isole
3. Reforce os laços familiares e de amizades
4. Reserve um tempo para curtir a vida e a convivência com os outros
5. Invista em processos de meditação e yoga
6. Aprenda a pensar positivamente e respirar
7. Encare sua ansiedade para aprender a superá-la
8. Consulte o médico regularmente e não tenha vergonha de buscar a ajuda de profissionais
9. Faça o tratamento terapêutico adequado
10. Reconheça seus limites e viva a vida intensamente

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Conscientize as Famílias sobre o problema

Sabemos que o trabalho da escola torna-se muito mais fácil quando existe uma parceria com as famílias.

Use os canais de comunicação, como o aplicativo escolar, para conscientizar os pais sobre o problema.

Aproveite as reuniões de pais para discutir o assunto, e procurar soluções e ações em conjunto.

Dessa forma, fica mais fácil para a sua escola ajudar os jovens a superar este obstáculo.

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Author: Escola em Movimento